Sunday, July 25, 2010

Painting in sand...

... I will dedicate this post, to all my friends OUT there!
I know Ive been a bit "far" these days, but my grandfather's death stroke me pretty bad... but Im feeling much calm lately... and i just wanted to share it with you:)

This video is my sign of friendship... thank you all 4your patience!:)
loves you... AR

Saturday, July 24, 2010

"Waiting on a Waitress..." (It's a poem I wrote a long time ago... and now I seem to be "recycling" this feeling toward someone new!:))


Someone's sick reality just stroke me through!
Those eyes, the moon...
knocked down this forehead noon
in between... did anyone moaned?

Tasteless wines are about to be re-invented
I’m sure they will... I’m able to see that too!
You see... my sore eyes usually get translucid...
...with the sights of you

So long ever after... but not long ago,
I still find thoughts... within the blue
I will hopefully distill,
aging memories out of you...

Into stolen spirits I dive,
while carefully stays this intent... in laying between the oak
Always against my will I tell them!

My heart is 'woodenning' here,
within floating wishes... for my careless waitress...
Once again, she drives me insane.
All the same, I came...

I long to forget,
all this empty green bottles she kept
Night after day... quite careless I might say?

but then... there's this 'body of mind' firmly staying...
as still as can be... standing there:
waiting on her
wetting just lips
waiting on leaves
waving on hands
leaving painful sweets in store... as she leaves me dry and sore...

you see...
each night I must pay, to go and see her move
night after day, thousands of barrels are presented my way:
Waiting on tables,
drinking white sables,
my taste perceives no happy ending?
I unable the pain, by calling on her once more...

I keep calling this wait!
I see her slide... she is on her sway...
'More barrels of wine', I usually say

The night is young,
alcohol starts its journey...
I see you through, though there are no signs of you?
The truth is mine alone...

Barrels of fouls parade along my shore,
pronning their heads to my waitress to be
Wondering there, just like me: 'Were all those bottles ever meant... to keep?'

Closing time starts its arrival... unwillingly,
I need to ask my waitress the usual:
And so I wave
And so u smile
I pay.
We leave alone... where to? Home?

Uncertainty takes its place,
I question my 'body of mind': were all those barrels worthwhile?
Will she dream of me tonight?


Lx, Junho 2005
(last edition: 24July2010)

Cats can learn the UNDERwaterLOVE too!



A dear lez friend sent me this video, which i thought was great!
Enjoy u all:)

Friday, July 23, 2010

"Fazedora de Letras" #69 (2)


"É cruel a certeza com que te digo: a memória não perdoa o fogo...
... arde comigo!"

(by Gonçalo Branco)

"Fazedora de Letras" #69 (1)


The "Fazedora de Letras" is a poetry magazine... and here are some poetry lines from it...

"ENCOSTAR-TE-ÁS AQUI, COMO SE O POEMA FOSSE UMA ALMOFADA..."

Friday, July 16, 2010

"Blind Willow, Sleeping Woman" (by Haruki Murakami)


Im reading this book these days... it has been a long time, since i started to read a book from beginning to end... life has become such a "rush" lately... and not in a good way!? sigh

But Ive decided i will break the "strss" in it, even by "force" if necessary!?lol ;) and so... Im starting a new book:) And here are some lines i thought were great... along with the imagining pictures...

"(...) Ainda assim, ela conseguiu desenhar uma montanha. E uma casinha no topo da montanha. Dentro da casa uma mulher dormia. E a toda a volta da casa cresciam salgueiros cegos. Tinha sido por causa dos salgueiros cegos que a mulher adormecera.
(...)
Os salgueiros cegos estão cheios de pólen, e quando umas moscas pequenas transportaram o pólen agarrado às patas para dentro do ouvido da mulher, ela caiu num sono profundo.
(...)
Visto de fora, à superfície da terra, um salgueiro cego pode parecer pequeno, mas tem umas raízes espantosamente profundas - explicou ela.- Na verdade, a partir de um determinado ponto deixa de crescer e começa a enterrar-se cada vez mais. Dir-se-ia que se alimenta de escuridão.

- E as moscas transportam o pólen para dentro do ouvido da mulher e põem-na a dormir- atalhou o meu amigo, vendo-se aflito para acender o cigarro com os fósforos húmidos. - E depois o que acontece às moscas?
- Devoram. Saciam-se e comem a carne da mulher por dentro, naturalmente - disse a namorada do meu amigo.
(...)
Agora me recordo: nesse verão, ela também escreveu um longo poema acerca do salgueiro cego e fez questão de o traduzir para nós, do princípio ao fim. (...) Inventou uma história, com base num sonho que teve certa noite e depois passou uma semana na cama a escrever esse tal poema que nunca mais acabava.
(...)
A fim de salvar a mulher adormecida do efeito do pólen, um jóvem aprestava-se a subir à montanha. (...) Abrindo caminho por entre os frondosos salgueiros cegos, o rapaz subiu vagarosamente a montanha. Ele era o primeiro a chegar lá a cima, depois dos salgueiros terem invadido tudo. Com o boné sobre os olhos, usando as mãos para afastar os enxames de moscas que à sua volta zumbiam, o jovem continuou a sua escalada, apostado em ver a mulher adormecida. A fim de a acordar do seu longo e profundo sono."

It's a bit violent... some sort of modern "Sleeping beauty" perhaps?
Im repeating this picture...I know...lol... its just that... it had to be "this one"... again?

Wednesday, July 7, 2010

Poema Celta de Amor (Anónimo Irlandês: séc.XV)


"Dúvidas de Amor"
(in "O Imenso Adeus")

Como passa meu amor, o meu escolhido em muitos mil?
Ninguém adivinha a dor que sinto, quando me dizem que não passa bem.

Eu sempre quis crer, que outro não era o teu amor.
Hoje porém ouvi contar um conto diverso, que me fez penar.

Não te agastes comigo, que contos contados não são verdadeiros.
Culpa não tenho, das invenções que o vento assobia?
(...)
Teus olhos matreiros só apregoam o amor, que me dá em troca do meu.
Muito gostava de ver em teus olhos, a luz de um amor que oferece sem pedir.
(...)

It's simple but truthful! It's the so called... butterfly effect!
If you never give, but take... you keep changing & destroy the so called *love wave*...

Tuesday, July 6, 2010

'Queer Lisboa' is back!



The gay cinema festival is back!
It will be this September... check out the official site at:
www.queerlisboa.pt

Saturday, July 3, 2010

Im feeling LIFE again!!!!:)


I believe the world is FINALLY turning around!
I believe the NEW ERA is finally kicking in!!! yeee!
At last! Caraças!!!!lol

Thursday, July 1, 2010

Im so tired...sigh!



"Glory Box" by Portishead

I'm so tired, of playing...
Playing with this bow and arrow, gonna give my heart away...
Leave it to the other girls... to play
For I've been a temptress too long!...?

Just...
Give me a reason to love you?
Give me a reason to be... a woman?
I just wanna be... a woman...

From this time, unchained... always looking at a different picture,
Through this new frame of mind... a thousand flowers could bloom?
Move over... and give us some room! ye

Give me a reason... to love you
Give me a reason to be... a woman...
I just wanna be a woman... it's all i wanna be...

[INSTRUMENTAL]

So don't you stop... *being a man*!;)
Just take a little look... outside!
Or from our side... when you can?
Show a little tenderness... no matter if you cry?

Just...
Give me a reason to love you!
Give me a reason to be... a woman!
Its all I wanna be... is all... woman...
For this is the beginning... of forever and ever!
oh... Its time to move on... ...

Wednesday, June 30, 2010

"O Anjo de Pedra" (a dark fairy tale...)




Argolas de erva e memórias,
pelo caminho ruiu tudo... passei por onde ela chorou.
Sem estrelas, a norte explode-lhe a noite!
Eu sonho-ta... indiferença.
Já bate a dor no anjo de pedra?
Ainda lá está?... ainda cá estou.
Entrou por onde esse amor?
Fica sempre para depois... o refundir a dois.
A desculpa, o perdão e a perca... sempre sem razão.
Tudo para o final da tarde... bem ali ao fundo, a portajar o meu bem querer... num vão de escada!
Espera... não, volta!... vem bater... o não, que desvio de coração!

Noites passadas, pesadas, pensavas entre vácuos e recuos: um anjo, a prenda, o milagre presente... em fim, a luz?
Mal formada a mensageira... reprimida, pintada de preto num corrimão de flores... viaja sem vantagem à cabeceira:
1- o filme imaginado a duas...
2- a música que ficou na dúvida?
3- entre paredes e chão... a realidade enterra-me, o sofá na televisão!

Não queria sonhar-te de novo!
Adormeci-me numa caixa vazia; e agora obrigas-me a volta: em ti voltarei a dor?
Tudo me muda e me lembra... mais um dia desse amor...
Desejo o filme, que no caeiro ficou... embalo futuros, até chamá-los de cor!
Um sorriso, o carimbo no chão... e volto sem querer, à primeira mão... aquela flor... "Hotel Mariot".
Desço sem olhar o luto, mais escadas e um grito!
Era nesse... teu final absoluto?

Aqueci a água às rosas, perguntei à chuva por ti: porque me deixou ela morrer assim?
Dói, desce, chove... mói, ai!... chuvia?... em mim mais ninguem queria!
Levo sózinha, teu guarda-chuva ao abrigo... o sol, o perigo... ver para além de mim???
Esforçar esse amor comigo?... querer, moer, viver... amar para sempre... o fim!

Viver... é saber amar sem temer naufragar.

A espuma dança, a chuva morde... e eu não esqueço: aquela guarda, o meu perdão... perdeu-se o amor de verão!
Nesse passeio, piso sem àrvores vários destinos... mas foi o dela, que entrou e saiu comigo...
Mas onde anda essa entrada de dor? Na pedra, no anjo... na cor?

A rosa murcha... estendi-te numa mesa ensaida de branco: velam anjos de preto por dentro!
Engano a alma, a ilusão, a solidão... e afinal... ela só me esperava noutra carta de amor!
Amor na agressão, na morte das palavras... responde-me em “asas nunca ditas"... reage-me em oposição!
Atravessa-me a pele, o cheiro, a fusão!... alimenta-me a fome comigo!
Lamento, não sei jogar neste centrimetro?
Sei correr para lá da meta... atingida ao peito, prometo ao espelho d’àgua... amar-te no que não for refeito!?

Reflectes saudades que são tuas, nas mesas, nas vozes, às vezes... e eu lamento-nos a sul... sem estrelas, fugi!
Sim, já me sonhas na diferença... no seio das pedras, restas-me em receio... bate-me o chão!
Coração... queria poder amar-te o “não” em todas elas!
Com... ou sem sentires as perdas, minha pedra polar, basta pensares em mim...
..... e estarei sempre... eu e meu pesar... ligada a ti.

(Lx., entre 25 e 26 Dez. 2009 )

Friday, June 11, 2010

Afraid to fly? (my last "fly edition"!lol)



"I would love to Fly!
Hands up high... & just let go!
Still... first flights scare me so?
my gentle cloud,
won't you close my eyes?
won't you love my sore?
my gentle dove,
why dive in dry?
why sigh in high?

Eyes wide close... & maybe we might?
Drown this tears... & maybe i die...
Your tidal ways, lead this fall
My gentle sways, feel my hole

Will an angel catch my soul?
Will thy heart seal this stroll?
my dandle words
your dreary thoughts

You know... sigh
I never meat to kill the start?!"

(Lx- 1Jul2010)


"i would love to fly
eyes close, hands up high...
and just let go...
but first flights scare me so?
my gentle cloud,
wont u close my eyes?
wont u love my sore?
my gentle dove, i must dive in high!
with eyes wide close, maybe i might?
leaving dark thoughts behind,
and be drowned into your… tidal eyes
oh this fall...
would my angel catch my soul?"

Lx, 19 Nov. 05 (edição: 11 junho 2010)

Monday, June 7, 2010

"Duas Sereias Num Caracol de Amor..." (lez poem & painting)


Certeira na curva, olhei de cima... tua varanda recua?
Giro o azul mais depressa, deixei cair um dedo!
Volteio-te de olhos cerrados, alma fechada...
Vieste sentir a fuga? O lugar do medo?
A saida rugiu primeiro... fui... floriu?
Aceito o desafio:
Fico-te mais um serão... acendes a vela?
Danço-te nela... a luz e o perdão.

1st LESBIAN marriage in PORTUGAL!!!!:)))


Congrats!!! Teresa & Helena, you finaly did it!!! May u both live happily ever after!:)))

Tuesday, June 1, 2010

"Baleias na areia..."


I had this vision... of whales on the edge of the seashore... searching for the ocean? not knowing they were drowning within... in the tip of the sand... wishing to be rescued back to... dryland?
I feel like diving in!

This is something I wrote a long time ago...

"Baleias na Areia

E a Baleia foi andando, de costa em costa, à procura do oceano.... disseram-lhe que era lindo que se via da pontinha da areia e tinha uma vista sem fim. De facto, pensava ela, é impossível que eu alguma vez o tenha visto. Não me passava despercebida uma vista ‘Linda!’, segundo dizem...

O mais importante de tudo era a beira de água, era esse pormenor que mais a preocupava, ter que ficar mesmo à pontinha da areia, para ver mais e melhor. Ela achava sempre que era o pormenor da pontinha que a impedia de ver o Oceano, ela não conseguia sair completamente fora de água. Nunca o tentara verdadeiramente. Nunca se atrevera. Mas nunca tinha ouvido falar em Baleias na Areia!? E receava sempre tudo aquilo que nunca ouvira falar. Sobretudo o que nunca ouvira falar? E curiosamente, aquelas coisas de que toda a gente falava banalmente, ela também não conhecia? Era um mundo estranho… aquele em que vivia. Era um esforço enorme e diário, tentar adaptar-se às coisas novas e velhas, que continuamente ficavam por conhecer e ao mesmo tempo fazer um sorriso para os outros, como se nada daquilo se passasse...

Mas o Oceano! Esse! Ah! O Oceano, esse… ela prometera a si própria que ia um dia conseguir vê-lo... Só faltava a história da pontinha da areia, chegar mais perto!.... Que Raça! As ‘coisas’ da vida às vezes também podiam ajudar um bocadinho, não é? Não poderia a pontinha da areia entrar um bocadinho na água. Só durante um bocadinho, para que ela pudesse espreitar o Oceano. Esse coisa linda de que toda a gente falava....
(continua... 26 Maio 2004).

Era pedir muito que aqueles dois grãos de areia me saltassem para os olhos? Acho que deixando de ver já posso perder as esperanças em vê-lo. É que eu já tentei de tudo...? Durante uma vida, eu tentei apenas uma coisa: chegar-me à ponta da areia, para ver o que todos viam. Para que, pelo menos numa coisa, eu pudesse estar de acordo com os outros...

Os outros. E em tudo na minha vida, velha ou nova, existem sempre ‘os outros’. Se eu não estivesse que estar sempre a ter que me adaptar não era tão bom? Aos outros... Às coisas dos outros. Cheguei a pensar em desistir dos outros... Acho que houve momentos em que eles lá não estiveram mesmo, mas ‘eles’ andam sempre por aí e é difícil não colidir... E depois, havia aquela coisa linda de que eles falavam e me levava a querer saber mais. Aquela palavra que parecia vir encher por dentro, depois de nos sair pela boca... O Oceano.

E durante uma vida, reuni toda a informação possível, eu falei com todos os outros possíveis, acho até que me chamavam a Baleia do -Ó, quando eu passava... E a minha conclusão era sempre uma, para ver melhor o Oceano, há que se colocar bem à beirinha da areia e olhar o mais longe possível. Baleias na Areia. Esta parte é que lhe faltava preencher.

As perguntas que fazia nunca eram directas e nunca ela começava o tema de uma conversa, ela entrava sempre a meio. Se estivessem a falar do ‘grande- Ó’, então ficava até ao final, e ao ‘outro’ mais pequenino que estivesse do seu lado, perguntava, como se nada fosse, ‘E no Oceano, também existem outras Baleias?’. Nunca se atrevera a perguntar directamente, ‘Como é que eu faço para ver o Oceano??, ou, ‘Como é que eu chego à ponta da areia?’, ‘Como é que eu me meto de pontas?’, ‘Já alguma vez ouviu falar em Baleia na Areia?’, ‘Como é que as Baleias do Oceano passaram da água, pela ponta da areia, para dentro do Oceano?’.

Esta última questão é que era a verdadeira questão. Ela queria acreditar, que se houvesse uma Baleia corajosa o suficiente para deixar as águas e passar para o tal Oceano... Não. Isto não era uma questão de coragem. Era preciso, era descobrir ‘o truque’... Baleias na Areia de pontas. E o mais importante, era que todas as Baleias desse Oceano ‘o’ sabiam. Todas elas também tinham passado uma vida à procura do ‘salto’... O Oceano não seria um lugar cheio de ‘outros’, mas apenas de Baleias na Areia, como ela. Devia ser um sítio interessantíssimo, onde importava apenas o redor e o presente e não todas aquelas coisas novas e velhas, de longe e de perto, que todos os outros falam a toda a hora e todo o momento…
(continua...? 27 Maio 04)."

Wednesday, May 26, 2010

"A correia" (a poem of mine)


(1)
Ao longe, corre uma bailarina naquele grão de areia: a correia
O vento balança a ponte
deslizas suspiros... aos montes,
num moinho envolta a fonte

(2)
Não há presságio que tranquilize,
este pássaro tem mesmo que partir...
as flores chamam por si: verde, hera... a primavera?
Quantos mais rios vão passar por mim?

(3)
A grade já lá não está, houve um remoinho que a levou...
O Santo morreu, ninguem sabe o que ele pregou?
Não há milagre para mais uma corrente,
presa ao lume, a vagas levantadas correm para poente...
afinal havia lá mais gente

(4)
O Castelo persiste, sem eco nem cheiros
As dores evocam nectares certeiros
A cesta chegou vazia, a roupa levou-a também a ria
E sem moer, temer, amar... naufragar?
Sonho-te para sempre... na minha poesia.


(...or... the 2nd "4"?)
O Castelo persiste, sem eco nem cheiros
As dores evocam nectares certeiros
A cesta chegou vazia, a roupa levou-a também a ria
E sem moer, temer, amar, naufragar... um coração inteiro?
Sonho-te em mim... maresia: para sempre na poesia.


26th of May, 2010

Tuesday, May 25, 2010

"pictures of you" (lyrics by The Cure)



"I've been looking so long, at these pictures of you
That I almost believe they're real
I've been living so long, with my pictures of you
That I almost believe... the pictures are all I can feel

Remembering ...
You... standing quiet in the rain, as I ran to your heart to be near
And we kissed as the sky fell in... holding you close
How I always held close in your fear

Remembering...
You... running soft through the night, you were bigger and brighter and whiter than snow
And screamed at the make-believe... screamed at the sky
And you finally found all your courage... to let it all go

Remembering...
You... fallen into my arms, crying for the death of your heart
You were stone white, so delicate... lost in the cold
You were always so lost... in the dark

Remembering...
You... how you used to be slow drowned
You were angels... so much more than everything
Hold for the last time, then slip away quietly
Open my eyes... but i never see anything

If only I'd thought of the right words, I could have held on to your heart...
If only I'd thought of the right words, I wouldn't be breaking apart... all my pictures of you...

Looking so long... at these pictures of you, but i never hold on to your heart
Looking so long... for the words to be true, but always just breaking apart... my pictures of you...

There was nothing in the world, that I ever wanted more... than to feel you deep in my heart
There was nothing in the world, that I ever wanted more... than to never feel the breaking apart... all my pictures of you..."

Thursday, May 20, 2010

Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa... (a poem by Alvaro Campos)


Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Exceto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...).

Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando não merece simpatia.
Sim, eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa.

Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
E' estar ao lado da escala social,
E' não ser adaptável às normas da vida,
'As normas reais ou sentimentais da vida -
Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta,
Não ser pobre a valer, operário explorado,
Não ser doente de uma doença incurável,
Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria,
Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas
Que se fartam de letras porque tem razão para chorar lagrimas,
E se revoltam contra a vida social porque tem razão para isso supor.

Não: tudo menos ter razão!
Tudo menos importar-se com a humanidade!
Tudo menos ceder ao humanitarismo!
De que serve uma sensação se ha uma razão exterior a ela?
Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
E' ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
E' ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.
Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki.
Tudo o mais é ter fome ou não ter o que vestir.

E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.
Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato,
E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.
Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!

Coitado dele, que com lagrimas (autenticas) nos olhos,
Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha olhos tristes por profissão
Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!
E, sim, coitado dele!

Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.
Eu é que sei. Coitado dele!

Que bom poder-me revoltar num comício dentro de minha alma!
Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.
Não me queiram converter a convicção: sou lúcido!
Já disse: sou lúcido.

Nada de estéticas com coração: sou lúcido.
Merda! Sou lúcido.